DEFINIÇÃO
A
surdocegueira é uma nomenclatura
adotada para fazer referência a pessoas que tem perdas visuais e auditivas
concomitantes em graus diferentes. Mais que duas deficiências associadas “a surdocegueira é uma condição
que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela
surdez” (Lagati 1995, p.306)
A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida, assim,
teremos o Surdocego Pré-lingüístico - quando já havia desenvolvido algum tipo
de linguagem - ou Pós-lingüístico.-quando a criança já nasce com a
surdocegueira ou adquire em tenra idade.
A
deficiência múltipla é
considerada como uma associação de duas deficiências ou mais. Segundo IKONOMIDIS é “a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias
(intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam
consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade
adaptativa". (IKONOMIDIS, 2010, p. 1)
Mas, Por que a Surdocegueira
não é uma Deficiência Múltipla?
A diferença está na forma
como as pessoas com tais deficiências exploram o meio ao seu redor.
Segundo
Shirley Maia (2011) a pessoa que
nasce com surdocegueira precisa da interferência ou mediação de alguém pra
receber, interpretar e conhecer as informações que lhe chegam.Seu conhecimento
do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato,
paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
Na
deficiência Múltipla, ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão
e ou audição) como ponto de referência para que as informações lhe cheguem. Apesar
de não ser garantido que todas as informações lhe cheguem de maneira legítima e
que não seja necessário o auxílio de um mediador.
Como
vimos, as pessoas com surdocegueira e deficiência múltipla possuem características
específicas e peculiares que os tornam indivíduos com necessidades únicas.
Desse modo, quais são as necessidades
básicas deles? Segundo Serpa (2002, p.2) “Nas crianças com surdocegueira e
com deficiência múltipla, a comunicação
é o aspecto mais importante e, por isto, deve-se focar nele toda a atenção
na implementação do programa educacional/terapêutico, já que é o ponto de
partida para chegar a qualquer aprendizagem”.
Além disso a dificuldade na comunicação cria
limitações na interação com os outros e com o meio levando a pessoa a ter
poucas experiências sociais chegando até a viver no isolamento.
É necessário, então, desenvolver estratégias para aquisição de comunicação:
Segundo IKONOMIDIS “É necessário organizar o
mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas claras e uma comunicação
adequada. É preciso desenvolver atividades de maneira multisensorial para
garantir aproveitamento de todos os sentidos e que sejam atividades que
proporcionem uma aprendizagem significativa com oportunidades de generalizar
para outros ambientes e pessoas (atividade funcional).(IKONOMIDIS, 2010, p.4)
Dessa
forma a utilização de objetos de referência são usados para dar significado
, substituir a palavras e representar pessoas, objetos, lugares, atividades. As
caixas de antecipação, que são utilizadas com crianças que ainda não tem um
sistema formal de comunicação permite que os objetos de referência sejam
utilizados para antecipar as atividades.
Os
calendários são usados para favorecer a noção de tempo e ajudar os alunos a
estabelecer e compreender a sua rotina. O emprego de pistas de contexto é necessário para identificar o espaço através
do cheiro, sons, organização do ambiente ou sons de pessoas.
Segundo ROWLAND e SCHWEIGERT, a utilização dos símbolos tangíveis é indicada para os
indivíduos que podem aprender a se comunicar por meio de
gestos, mas podem ter dificuldade para conseguir uma comunicação usando
símbolos abstratos tais como: palavras faladas ou língua de sinais.
Nesse tipo de comunicação é feita uma relação
entre o símbolo e a referência para o usuário individual, baseada na própria
experiência do usuário. Assim os Símbolos
tangíveis devem ser construídos para cada pessoa, de acordo com as
características das referências que são mais significativas para aquele
indivíduo.
Desse modo se o indivíduo
entende que pode controlar o comportamento de outra pessoa por meio de
comportamentos comunicativos pré-simbólicos intencionais, tais como apontar,
estendendo a mão ou dedo em direção a objetos, abraçar, guiar pela mão, expressões
faciais, ou vocalizando a utilização dos símbolos tangíveis segundo esses
autores será utilizada na comunicação com muito sucesso.
Referências Bibliográficas:
- BOSCO, Ismênia
C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e
Deficiência Múltipla (2010).
- IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla
Sensorial”,2010 sem publicar.
- ROWLAND Charity e SCHWEIGERT
Philip - Soluções Tangíveis para
Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão:
Shirley R. Maia - 2013.
- SERPA, Ximena
Fonegra, Comunicação para Pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas,
INSOR-Colômbia 2002.
- Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência
Múltipla. Texto elaborado
pela Profa. Dra. Shirley Rodrigues Maia. São Paulo: 2011. (Não Publicado)
Gostei do seu texto, quando paramos para pensar nas diferenças entre a DMU e a surdocegueira é que percebemos a complexidade dos conceitos e as especificidades de cada um.
ResponderExcluirRealmente é importante saber distingui a surdocegueira da Deficiência Múltipla. Mas, as estratégias de ensino tem muitos pontos em comum. Parabéns pelo texto! A forma como vc organizou facilitou ainda mais a compreensão. Forte abraço!
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